A evolução dos jogos eletrônicos é intrínseca ao crescimento dos computadores. Mesmo na época em que os computadores ocupavam grandes espaços e possuíam pouco do poder de processamento de que gozam hoje em dia. A fascinação do ser humano pelo jogo vem muito antes disso: há evidência de que egípcios e sumérios já se divertiam com jogos de tabuleiro há milhares de anos (REIMER: 2005), portanto quando os primeiros programadores tiveram acesso à tecnologia, logo estavam criando jogos.
Em 1947, foi patenteado nos EUA um dispositivo chamado Cathode-Ray Tube Amusement Device que pode ser considerado o primeiro jogo eletrônico. No entanto, o jogo era puramente mecânico e não utilizava nenhuma espécie de programação ou computação gráfica. Cinco anos depois, Alexander Sandy Douglas desenvolveu inteligência artificial para um jogo de computador chamado Noughts and Crosses, e mais seis anos depois William Higinbotham desenvolveu Tennis for Two, que era usado para entreter os visitantes do Laboratório Nacional de Brookhaven, em Nova York. O jogo consistia numa tela em que era mostrada uma quadra de tênis simplificada vista de lado e continha uma bola controlada pela gravidade. Tennis For Two era jogado com dois controles, os antecessores do joystick, e é o candidato mais forte a levar o título de primeiro videogame.
Em 1969, Ken Thompson, programador da AT&T escreveu um jogo chamado Space Travel para o sistema operacional Multics. A AT&T acabou se desligando do projeto Multics, e sem ter onde rodar seu jogo, Ken encontrou um PDP-7 semi-novo, assim ele e Dennis Ritchie começaram a adaptar o jogo à linguagem do PDP-7, conseguindo ao mesmo tempo, desenvolver o sistema operacional Unix. Space Travel foi a primeira aplicação do novo sistema.
A partir dos anos 70, Nolan Bushnell e Ted Dabney criaram os jogos operados por moedas, os arcade games. Ambos fundaram a Atari, Inc em 1972 - que impulsionou o grande sucesso dos arcade nos anos 70 – e logo lançaram Pong, o primeiro videogame de grande sucesso comercial. Do outro lado do mundo surgiu um fenômeno em 1978, o Space Invaders, da Taito, o que daria muita confiança para outros entrarem no mercado cujas máquinas já estavam presentes em shoppings, restaurantes, lojas de conveniência, abrindo caminho para o marco de uma geração: Pac Man, da Namco.
A partir do fim dos anos 70, Magnavox Odyssey inaugura a era dos consoles, ao mesmo tempo que, com a evolução dos computadores, os usuários começaram a programar seus prórpios jogos, lançando as bases dpos jogos de PC. A segunda e mais popular era dos videogames então viria com os consoles que utilizavam cartuchos, dando ao usuário a possibilidade de jogar uma grande variedade de títulos. dentre estes estão o Atari 2600 e o Intellivision da Mattel.
Os anos 80 trouxeram as bases dos gêneros de jogos que hoje povoam consoles no mundo inteiro: Aventura, luta (o clássico Street Fighters, da Capcom), labirintos e puzzles (PacMan), plataforma (Donkey Kong), corrida (Pole Position, da Namco), RPG (Dragon Quest, inspirador de sériess como Final Fantasy), ritmo, tiro, sobrevivência, horror, entre outros.
Devido ao bombástico sucesso dos videogames, as empresas começaram a apertar seus prazos e produzir freneticamente, diminuindo a qualidade dos jogos e a uma superprodução de cartuchos. Estes fatos culminaram na crise do videogame de 1983, que extinguiu muitos dos fabricantes de consoles e jogos. Durou pouco. Em 1985, Super Mario Bros. surgiu no Nintendo NES trazendo de volta a popularidade dos games, paralelamente o SEGA Master System conquistava mercado no Brasil e na Austrália. Foi nesta época que o controle como conhecemos foi padronizado: direcional e dois botões de ação. Nesta época surgiram clássicos como Metal Gear, Dragon Quest e Legend of Zelda.
A partir dos anos 90, a indústria dos games evoluiu sem parar e em curto espaço de tempo, os gráficos em 2d deram lugar o 3d, parcerias com filmes e astros do cinema levaram a cultura gamer ao status de mainstream. Nesta época surgiram as demos em disquete contendo um dois dos níveis dos jogos. Eram vendidas por um preço bem baixo e logo começaram a ser distribuídas gratuitamente em encartes de revistas como forma de publicidade.
Em 1991, a SEGA mostra ao mundo o que seria seu principal mascote: Sonic The Hedgehog ainda é um marco na história dos games. Nesta época também surgiram gigantes como Warcraft, The Sims, Age of Empires e Grand Theft Auto, assim como novos modos de jogabilidade, como os jogos em primeira pessoa e em terceira pessoa com diálogos e mini-mapa. Logo também, o 3d e o CD dominariam o mercado.
À medida que os consoles caseiros se tornavam cada vez mais populares, os arcades caíam no esquecimento, hoje em dia já sendo considerados objetos de colecionadores. Novas formas de jogar surgiam marcadas principalmente pela mobilidade: os consoles portáteis (GameBoy, da Nintendo) e jogos para celular (Snake, da Nokia, 1998).
Presenciamos há pouco tempo o fenômeno Wii, cujos jogos são chamados de casual games, o Playstation 3 já utiliza o Blu-Ray como disco de dados, levando a jogabilidade à um outro nível. O jogos de música dominaram o mercado a partir do advento de Guitar Hero e, logo após, Rock Band. O controle padronizado acabou perdendo um pouco a força devido a maior interatividade que, dependendo do jogo, outros controles podem oferecer. A Sony pretende lançar um controle de movimento até 2010. E podemos esperar o cloud computing, técnica pela qual os gráficos do jogo são renderizados longe do usuário final, ou seja, poderemos jogar via streaming.
Obviamente a indústria de jogos só tende a crescer e se expandir ainda mais, o que traz aos teóricos da comunicação questões sobre esta forma de se comunicar. Jogos violentos estão sendo cada vez mais proibidos, criminosos culpam os jogos pelas suas faltas: Uma grande esfera de conhecimento artístico, comunicacional e até político de discussão se abre em torno dos videogames. Tentaremos abordar um pouco desses assuntos nos próximos textos. Fiquem com esse vídeo que mostra a evolução gráfica dos games:
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